Vênus domada (fragmento)
por Jan Moreno

cena #1

Na cela encerrada,

à espera.
Presa, a indócil escrava
entregue à alheia vontade.

Cobre-lhe a venda os olhos;
cerra-lhe a boca a mordaça.

Exposto o pávido corpo:

presa ao desejo,
ela aguarda.

cena #4

Exausta, a serva ofegante sobre o solo,

ferida e arfante.
Na carne umedecida,
mesclam-se a cera e o suor

Já nada vê e nada sente:

silentes, saciados sentidos
jazem no corpo dormente.
Qual fera submissa e domada,
na cela adormece –

à espera,

dolente.