por Calista Serpe
VAMPIRIA
E quando enfim meus lábios agasalham
o que em ti se faz rijo por desejo, e quando enfim
consinto deleitar-te com meus beijos
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e trêmulo pressinto que te elevas
ao vértice do gozo, mais te enlaço
com minha língua: e, junto aos teus joelhos,
entrego-me a ti como um róseo receptáculo
e arranco de teu sumo a essência que me alenta
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e enquanto finalmente te prostras, exausto,
sorvo, silente e sedenta,
inteira tua semente.
ÊXTASE ÁUREO
Espero-te: que a minha fonte aguarda. O meu segredo
oculto numa concha. Há nela o mar:
mais áureo mar. Em mim todo o oceano
contido. Pode ali caber inteiro?
Guardado. Numa concha úmida e rósea
que em si fabula o ouro. E freme. E pura
emerge: áurea torrente. E o corpo treme:
eis meu dourado avesso a saciar
a sede que se abriga no teu peito.



