Ensaio sobre um corpo (fragmento)
por Vergílio D.

d) Não me negue nunca os cálidos recantos
que em seu corpo me acalentam (alvos braços,
pernas quentes, doces lábios): eu bendigo
os que a mim deram o seu corpo, sejam deuses
ou demônios (que me importa?) Eu quero apenas
este estar aqui – colado à pele ardente
aquecida pelo sol (que no seu peito

você vela) mas que a mim também aquece
mesmo quando estou distante do seu leito,
porque tanto já bebi destes seus mares
que ora vivo assim: eterno embriagado
do seu corpo e já não sei nada de mim:
foi-se em suas vastas águas meu passado
me procuro e não mais lembro de onde eu vim.